sábado, 4 de agosto de 2012

CASTANHAL

Na chuva branca:

                   O desabrigo,

             A fuga e o movimento 

         Tensões d' alma.


Estradas ou trilhos,

              Represas ou rios?...

      A  poeira,

a ventania 

asfaltos por onde escorrem as 

     velhas promessas de lama...

              Teus filhos mortos na madrugada,

No teu Diário Matinal:

O crime!

O grito!

A luta!

  e o sangue de um Mestre que não mais ensina Palavras de Ordem,

ou lê em tua cartilha:

" Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça"...
















" Este poema é uma homenagem ao professor, sociólogo e advogado Marcão (ferido e morto em sua própria casa) e a cidade de Castanhal de  poucas chuvas, muitos problemas e que possui um cartão- postal singular: o velho trem da saudosa ferrovia Belém-Bragança. Àqueles cidadãos  que aprenderam a cuidar de si mesmo e de todos os viajantes que chegam e encontram o "Cristo" de braços abertos e o povo crucificado pelas autoridades locais.  
Este é mais um poema ou manifesto sem o bairrismo e ufanismo débil das elites e com  a nobre revolta de um  castanhalense de coração e um estranho no mundo. "
Ricardo Sodré.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Máquina de Escrever.











Meu coração é máquina de escrever:
a peste, a morte, o corpo e o prazer
a sensação das coisas
o mundo escuso do "Ter e não Ser"
a noite escura e a pele nua.
Mecanógrafo da vida
daqueles que tentam consertar o mundo
e deixam sobrar parafusos
para montar outro Homem
Um desses caras que quebrou a cara
desprezando Alzira
logo após um terno beijo.
Depois disso comeu uma linda puta estrábica
rasgando saia e calçinha
escavando fontes
ruminando línguas.
Dedilhando lírios e seios...
Daqueles caras que [I] lustra [M] o cesto das palavras:
a nudez d' alma
Um tipógrafo da vida
alinhando a escrita e os sonhos
na mecanização dos dias...
Ricardo Sodré.